Os territórios de baixa densidade deviam apostar prioritariamente “na compostagem, doméstica e comunitária, ficando a recolha seletiva de biorresíduos para os grandes centros urbanos por forma a não existir uma única solução para todo o território”.
A ideia é defendida pelo Diretor-Geral da Resíduos do Nordeste (RN), a empresa intermunicipal responsável pela gestão, recolha e tratamento de resíduos urbanos no distrito de Bragança e ainda no concelho de Vila Nova de Foz Coa. “A própria Agência Portuguesa do Ambiente já admitiu, os estudos foram feitos em 2019, estamos em 2026, tem que haver alguma revisão face à aprendizagem que foi agora feita e rever um bocadinho as coisas.”, acrescenta Paulo Praça que defende ainda uma “maior articulação entre sistemas em alta e em baixa para superar os desafios da recolha seletiva de biorresíduos”, obrigatória em Portugal desde o início de 2024, mas com metas muito difíceis de cumprir, neste caso, reduzir a deposição em aterro a 14% no final de 2030.
A questão dos biorresíduos foi apenas um dos temas em debate, no Workshop “Waste 2 Business – Fluxos de Resíduos”, realizado na passada terça-feira, na Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo de Mirandela, promovido pela APEMETA – Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias Ambientais, no âmbito do Projeto AMBIPOR IV, em parceria com a RN.
Um encontro dedicado aos desafios, soluções e perspetivas futuras no domínio da gestão integrada de resíduos, que reuniu especialistas, entidades públicas e privadas e representantes do setor.
Ao longo do dia, foram abordadas matérias como a gestão de biorresíduos em regiões de baixa densidade, resíduos têxteis e alimentares, resíduos perigosos domésticos, gases renováveis e o Sistema de Depósito e Reembolso, entre outros temas estratégicos para a transição ambiental e a valorização de recursos. “Temos de focar cada vez mais aqui a temática dos resíduos, os objetivos que temos de atingir, todas as metas, e nada como poder trazer até a Mirandela esta temática e juntar os vários stakeholders e falarmos sobre o assunto, adianta Raquel Veríssimo, do Departamento de Projetos e Serviços da APEMETA. “A nossa preocupação também é descentralizar os vários eventos que vamos fazendo sobre as diferentes temáticas”, acrescenta.
Para o Diretor-Geral da RN, este tipo de iniciativas “reforça o compromisso coletivo com a economia circular, a inovação e a sustentabilidade ambiental”. Paulo Praça entende que devem ser reforçadas as campanhas de sensibilização para incentivar a sociedade civil a enveredar pela recolha seletiva e dá o exemplo da comunidade escolar da ESACT de Mirandela revelando os números referentes a 2025. “Estamos a fazer recolha seletiva na escola e vamos todos os anos enviando números. O caso do papel e cartão anda nos 1.800 kgs, cerca de mais 200 kgs do que o ano passado. Depois o fluxo do vidro, na ordem dos 500 kg e os plásticos na ordem dos 600 kgs. Pode parecer pouco, mas é um contributo, no fundo cada quilo conta, para alcançarmos as nossas metas, e portanto, o papel de cada um de nós é determinante para os resultados que temos que alcançar”, afirma.